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Econômico e Financeiro

Cenário macroeconômico

Assim como 2020 e 2021, 2022 foi mais um ano volátil no mercado financeiro, com os ativos apresentando grande instabilidade. Os impactos negativos ocasionados pela covid-19 ainda foram sentidos e se somaram a crises geopolíticas, como a guerra entre Ucrânia e Rússia e o embate entre Estados Unidos e China. A inflação global foi pressionada pelos efeitos das medidas de restrição de circulação de pessoas (principalmente na China), dos gargalos nas cadeias globais de produção e de logística, da pressão de quebra de fornecimento, do aumento de preços das commodities de energia e da baixa taxa de desemprego global devido aos fortes estímulos monetários e fiscais dos últimos anos. O confronto acerca dessa questão foi o principal tema a movimentar as economias e o mercado financeiro mundial durante o ano.

Os agentes econômicos dos países desenvolvidos tiveram que enfrentar uma inflação galopante após passarem décadas vivendo sob taxas baixas. Esse ambiente inflacionário acabou gerando grandes discussões, principalmente nos Bancos Centrais, sobre quanto deveriam sacrificar suas economias acionando os mecanismos monetários necessários para conter a alta dos preços. A demora na tomada de decisão piorou o cenário. Ao perceber que a inflação não era uma questão transitória e deveria ser combatida com firmeza, os Bancos Centrais adotaram medidas como aumento de juros, mesmo com seu consequente efeito negativo.

O ano de 2022 terminou, portanto, com perspectivas de baixo crescimento mundial e alto nível inflacionário, com os Bancos Centrais dos países desenvolvidos ainda tentando calibrar suas taxas de juros com o menor prejuízo possível. Esse ambiente trouxe muita volatidade ao mercado financeiro e aversão ao risco. Com as taxas de juros se elevando, os investidores em geral passaram a procurar ativos de menor risco, realocando parcela significativa de seus investimentos em papéis ligados a juros, o que afetou negativamente mercados como a bolsa de valores que dependem do crescimento econômico. Nasdaq fechou o ano perdendo mais de 33% e S&P500 com queda de mais de 19%.

No contexto brasileiro, a condição de exportador de commodities, os programas de transferência de renda, a redução de impostos em setores como o de combustíveis e de energia e a distância geográfica das crises geopolíticas, entre outros fatores, acabaram levando a revisões para cima do PIB de 2022, o que trouxe algum alívio. Além disso, o Banco Central brasileiro, diferentemente do que ocorreu nos países desenvolvidos, reagiu com mais agilidade à subida inflacionária, até pelo seu histórico de luta recente contra a elevação de preços na economia. Com isso, nosso BC foi um dos primeiros a iniciar o ciclo de aumento das taxas de juros, saindo de um patamar de 9,25% no início do ano para 13,75% ao final de 2022, sendo que no começo de 2021 a taxa era de 2%.

Essa forte sequência de aumento dos juros somou-se, mais no fim do ano, à eleição e ao pós-eleição, com os agentes tentando entender o caminho a ser seguido pelo novo governo na área econômica e fiscal, com impactos nas perspectivas de inflação, taxa de juros e crescimento. Isso acabou trazendo volatilidade para os ativos e afetou o posicionamento dos agentes financeiros que, ao longo de 2022, passaram a preferir papéis de menor risco ligados a juros. Nesse cenário, os ativos pós-fixados ganharam espaço nas carteiras de investimento, com os ativos ligados a taxas prefixadas, principalmente de longo prazo, e o mercado de ações sofrendo mais.

No acumulado de 2022, o CDI (juros pós-fixado) ficou em 12,37%. O índice IMA-B5, que reflete o desempenho dos títulos públicos de curto prazo indexados à inflação, atingiu 9,78% no ano. Já o índice IMA-B5+, que reflete o desempenho dos títulos públicos de longo prazo indexados à inflação, obteve rendimento de 3,30%. O Ibovespa fechou 2022 com ganho de 4,69% e a inflação no período (IPCA) foi de 5,79%.

Em 2022, a previdência complementar brasileira completou 45 anos de sua regulamentação. Mesmo existindo há bem mais tempo (na verdade, desde 1835, quando um Decreto Imperial criou o Montepio Geral de Economia dos Servidores do Estado), o ano de 1977 marcou o início do crescimento mais estruturado do setor.

Desde então, o sistema dá mostras claras de sua solidez. Segundo dados do Relatório Gerencial de Previdência Complementar, divulgado em setembro de 2022 pela Secretaria de Previdência do Ministério do Trabalho e Previdência, o patrimônio acumulado das entidades fechadas de previdência complementar (EFPC) ultrapassa a marca de R$ 1,17 trilhão, com resultado de 8,1% até o terceiro trimestre do ano. A rentabilidade acumulada por essas entidades desde 2013 é da ordem de 145%.

A cobertura das EFPC chega a 3,77 milhões de pessoas – 2,89 milhões de ativos, 682 mil aposentados e 199 mil pensionistas. Nas 272 entidades existentes, o patrimônio está dividido entre patrocínio público (62%), privado (37%) e entidades instituídas (1%). São 1.131 planos: 495 de Contribuição Definida, 338 de Contribuição Variável e 298 de Benefício Definido.

No que diz respeito aos benefícios, o Relatório indica que a previdência complementar paga, anualmente, cerca de R$ 85,68 bilhões em benefícios para aproximadamente 946 mil aposentados e beneficiários. Desse total, 95% são pagos aos aposentados que acumularam recursos nas entidades fechadas e apenas 5% nas abertas.

De acordo com números de setembro de 2022 da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), os planos família seguem em pleno crescimento (como o Mais Visão, oferecido pela Visão Prev desde setembro de 2020), com 48 mil participantes e ativos superiores a R$ 1,18 bilhão.

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